quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu conto de Natal



Era dezembro de 2005. Nevava abundantemente em Minnesota. Eu estava devastada por causa de um coração partido. Morrendo de saudade da minha família. Minha conta bancária zerada. Todos os meus amigos fora da cidade, ou fazendo viagens mirabolantes pela Europa, Caribe, Vegas ou de volta ao Brasil para passar o Holiday com a família.
A minha única companhia era a minha amiga Gabriela que eu conhecera há apenas dois meses e que passava pelos mesmos problemas, a exceção do coração partido (por ser muito bem resolvida) e da falência (por ser muito bem controlada).
Chegou o dia 24. Decidimos então que faríamos a nossa ceia de Natal, ainda que só nós duas. Pusemos música alta, dançamos, eu bebi minhas cervejas e fomos ao Cub Foods comprar tudo, haja vista que só tínhamos milho e salsicha em casa.
Quando estávamos atravessando a rua vimos as portas do supermercado se fecharem. Ele só funcionaria até as 16:00 e estávamos 1 minuto atrasadas. Shit! Não adiantou nem choro nem vela.
Na volta pra casa, resolvemos entrar numa Igreja Presbiteriana. “Ahhh, esse povo é solidário, claro que vai ter festinha aí!” Cantamos umas musiquinhas, recebemos uns abraços... mas festa mesmo não teve.
Enfim chegamos em casa, muito desapontadas. Nosso Natal seria isso?
De repente, não mais que de repente toca o telefone. Era a Tammy, uma senhora que trabalhava com a Gabi que a convidava pra cear com sua família. Fui de sapo.
Chegamos em sua casa e encontramos tudo muitooo simples, uma casa pequena, feia, não tinha nem cadeira. Mas não me lembro de um lugar em que tenha sido tão acolhida, que tenha me sentido tão bem. A Tammy era divorciada. Sua filha era rebelde e não saiu do quarto pra cear. O filho da Tammy era um fofo, extremamente educado. Era um office boy e engravidou a namorada. Eles passavam por uma enorme crise emocional e financeira e a sua futura esposa também não quis passar o Natal com ele.
Conclusão: estávamos os quatro, cada um com seus problemas, seus dramas pessoais, suas frustrações, seus sonhos perdidos, sentados à mesa dividindo mais que uma refeição.
Na volta pra casa, o filho da Tammy fez questão de passear por toda vizinhança para que pudéssemos ver as luzes de Natal. Ele apesar de toda dor que vivia no momento enxergava beleza em tudo e queria compartilhar com a gente o sentimento bom que o Natal lhe trazia. O carro ia devagar por causa do excesso de neve, e realmente a câmera lenta me deu a impressão de estar em um filme.
De volta ao lar, eu e Gabi terminamos a noite com sessão de fotos, sorrisos, abraços, lágrimas e a promessa de que faríamos uma festa de Natal em Abril, quando todos os amigos estivessem presentes.
O que eu não sabia era que aquele foi o Natal mais lindo da minha vida. O único em que eu realmente enxerguei o seu verdadeiro significado. Ontem o Padre Fábio disse uma frase muito linda: “Celebrar o Natal é conceder à sua alma a oportunidade de se sentir recém nascida”.
Naquele Natal, dei à minha alma essa chance e finalmente pude nascer de novo. Eu me reconciliei com meu passado, perdoei o que nem precisava ser perdoado. Eu aceitei as minhas dores. Eu decidi que queria ser feliz e que por mais que as coisas estivessem difíceis elas iriam melhorar. Apesar de tudo há tanta vida, tanta beleza, tanto amor lá fora. Um sopro de fé e esperança passou por mim e me renovou.
Se eu pudesse dar um presente a vocês meus amigos, eu daria uma Gabriela pra cada um. Um amigo de verdade, com quem vocês pudessem sempre contar. Alguém que traga Deus para mais perto de vocês. Que acredita no que você tem de bom, que divide, que chora junto, mas que te traz pra realidade e mostra o colorido do mundo através de pequenas coisas. Alguém que te ensina que pra ser feliz basta estar vivo! E que o Natal se faz é dentro da gente.
Desejo que todos vocês tenham um Natal maravilhoso e que encontrem paz de espírito em qualquer situação que estejam vivendo, ainda que ela seja aparentemente difícil. Um dia vocês poderão sentir saudade, como eu sinto, diariamente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quando o referencial é perdido



Definitivamente, não há nada mais complicado em nossa jornada pessoal do que nos dar conta de que não temos mais um referencial. Quando não conseguimos mais distinguir o que é certo ou errado, não sabemos mais o que é o justo, o ilegal, o imoral...
Sempre vivi minha vida seguindo princípios muito sólidos. Conduta rígida. Meus pais são o meu referencial de integridade, honestidade. Foram fundamentais para a formação do meu caráter.
Na adolescência comecei a namorar muito cedo. E emendei um namoro atrás do outro, sempre. Meus namorados foram meus referenciais de conduta. E vamos combinar, eu sou uma boa namorada. Em todo namoro, dei meu sangue para que desse certo. Nunca fui piriguete. Nunca traí. Meus porres memoráveis foram depois da faculdade. Acreditava em príncipe encantado. Eu já quis me casar, uma vez.
Mas aíííí, o mundo insiste em dar voltas e de repente o meu mundo cor-de-rosa cai por terra. A vida real me dá uma sacolejada e eu me vejo só. Com o coração um pouco pesado, decepcionada com umas coisas, desiludida com outras e triste pq o meu melhor não foi suficiente. E aí é que meus questionamentos começam...
Sou adulta, estou solteira e agora preciso andar com minhas próprias pernas e fazer meus próprios julgamentos. E o mundo aqui fora não é bonito não!!! Ando vendo pessoas ruins, gente mentindo a todo o tempo, casais se enganando, gente chorando eu vejo todo dia.
Começo a me perguntar: o que é o certo? Será que é normal ser assim? Será que eu estive errada o tempo todo? Que durante vinte e tantos anos eu fiquei no stand by e me enganei sobre as pessoas e sobre o mundo em geral?
Não. Eu nunca fui uma pessoa iludida que não sabia das mazelas do mundo. Mas agora eu vejo as pessoas mais de perto. Agora eu to com tempo sobrando pra prestar mais atenção às coisas que acontecem a minha volta. Agora eu finalmente parei de ver tudo por um único referencial e to começando a enxergar a complexidade da obra.
Tô construindo o meu observatório. Com base em tudo que já vivi, me espelhando nas pessoas que me são queridas e importantes, eu vou moldando o meu jeito de olhar o mundo. Sabe, ainda tenho uma visão distorcida do todo. Acho que a versão ideal do meu mundo é cheia de moranguinhos e chantilly, misturados com uma boa mão de ferro. E analisando o mundo real sob essa perspectiva, acho que dá um bom começo pro meu referencial né? AMOR com RESPONSABILIDADE!

domingo, 28 de novembro de 2010

Só hoje pode?


Tô cansada de ouvir que eu não sei o que quero... A bem da verdade confesso que  em muitas situações não sei mesmo. Talvez essa insegurança, essa incerteza pra tudo tenha a ver com meu signo de Libra. Nós, librianos somos inconstantes, indecisos, incapazes de tomar uma decisão sem sofrer muuuito antes, durante e depois dela.
Acredito que o medo de cometer injustiças seja o fator primordial, que nos impede de ser firmes com as escolhas. E mais... o medo de não sermos aceitos, de não sermos amados. O medo de ferir.
Acontece que de uns bons tempos pra cá, venho me sentindo imensamente incomodada com algumas situações e a inércia não está sendo a melhor saída. O mal estar é a ante-sala do sofrimento e eu quero me desprender logo desse sentimento de angustia que me invade, e eu sei bem porque.
É preciso tomar uma decisão. É preciso escolher um caminho. E como é difícil fazer isso e deixar tanta estrada pra trás. Talvez seja preciso recuar. Talvez seja vital seguir em frente. Algo tem que ser feito logo, pq essa parte da estrada tá perigosa e eu não quero ficar aqui, sozinha.
Fala-se muito de autoconhecimento. Mas sério... to com preguiça de ficar me analisando. Será que eu posso dar uma pausa pra mim, e aceitar que não preciso ser perfeita? Que não preciso ter que agradar a todos, que não posso superar todas as expectativas?
Será que só por hoje eu posso não saber mesmo o que quero? Posso admitir que ta difícil escolher o caminho? Hoje posso não me CULPAR por isso?
Posso apenas entregar os pontos e admitir que pra mim não deu, que eu to cansada e que quero parar tudo por aqui?
Nesse ponto da estrada eu deixo a mala com tudo o que tinha dentro. Eu deixo as perguntas, as minhas verdades, o meu chororô, umas canções...
E eu sigo... nua e nova, ainda sem saber pra onde ir, mas sem olhar pra trás.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

A incrível arte de ser um biscoito de polvilho! Ooooi!????


(Um desabafo em forma de post)
Cada dia mais me convenço que to vendendo meu peixe errado. Acho que as pessoas têm uma visão equivocada de mim, e vou usar esse blog pra explicar direitinho quem eu sou, de modo que não restem dúvidas.
Sempre fui mal interpretada. As pessoas que não me conhecem acham que sou forte, metida, bem resolvida, sem problemas e que por esse motivo não preciso de proteção! Alguém me disse uma vez que eu não dava trabalho, daí ele não se preocupava em cuidar de mim! Oooi!?
Sou efusiva! Rio demais, falo pra caralho, uso roupas curtas pq realmente gosto do meu corpo, sou exibida mesmo, tenho mtos amigos, pinto as unhas de vermelho, sou mto solícita, mto simpática, faço amizades com facilidade, me acho a última bolacha do pacote. E isso só faz de mim a típica biscoito de polvilho: só faço barulhoooo!
E nessa de fazer tanto barulho, acho que ensurdeço as pessoas que ficam incapazes de ouvir o que estou dizendo. Não se deixem iludir... Só pq minha família é legal, só pq tenho bons amigos, só pq não tomo remédio controlado, só pq to me estabilizando profissionalmente, só pq to com a auto-estima na média, NÃO SIGNIFICA QUE EU NÃO PRECISE DE CARINHO!
Aaaaahhh, eu to carente mesmo, poxa! Sou uma mulher normal! Eu tb tenho sentimentos... Tenho meus medos, minhas inseguranças, meu romantismo... Sou forte, mas gosto de mimo, nunca escondi isso. Sou independente, mas quero colo. Sou compreensiva, mas também fico chateada com algumas situações. Perdôo com muita facilidade, mas não sou uma idiota. Tenho o espírito livre, mas adoro que a pessoa que quero tente me laçar!
Esse lance do povo me achar forte e legal demais ta me tirando do sério. Tão começando a abusar já. Tô sendo extremamente verdadeira nesse post, e to correndo o risco de parecer arrogante e pouco humilde. Não é essa a intenção. O que quero deixar claro, é que as aparências enganam. Ninguém sabe o que se passa aqui dentro. Eu não quero ter que fazer joguinho pra conquistar o que quero.
Aaaahhhhhhh, to chata mesmo, poxa!. Tô falando isso pra todo mundo ultimamente. Tô odiando esse mundo moderno! Nós mulheres conquistamos tanta independência, que eu acho que a nossa essência tá ficando pra trás! Meeeedo do que vou confessar: mas que saudade de um gentleman a moda antiga; que vontade de receber a visita de um príncipe em seu cavalo branco; alguém me manda uma carta? E-mail não...tem que ser carta! Ah, me faça um poema, compare minha beleza com a das estrelas..kkk...Mente que eu finjo que acredito no seu coração! Ah, me joga um caôzinho, me leva na conversa, me fala o que eu to esperando ouvir!
Não me levem tão a sério. Daqui a uns dias vou apagar esse post, pq não gosto de chororô Mas eqto eu não apago, façam todas as minhas vontades??? Hehehe
Aaaooooowwwwwwwwww.... Essa tal de carência atinge a todas nós viu?
Agora eu vou ali assistir filme romântico e comer uma caixa de chocolates com refri, dar minha choradinha básica e esperar uma ligação apaixonada... L

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Arrumando o armário



Estava eu no MSN com minhas amigas Nandinha e Livinha, numa fervorosa e infindável discussão sobre que roupa usar no churrasco de amanhã.
Cara, eu não tenho rooooupa!!!!!! Resolvi abrir minhas gavetas e colocar todas as roupas em cima da cama, pra facilitar a escolha. Meu Deus! Eu tenho roupa pra cara***!
Vi que tinha coisa ali que nem lembrava e me deu a doida; quase meia noite e eu arrumando meu armário. Fui separando cada peça, uma a uma. Separei mais de 50% e decidi que não as quero. Foram 2 sacos de lixo em roupa que não uso mais mas que ocupavam espaço no meu armário e me davam a falsa impressão de que eu tinha o suficiente.Vou doar tudo!
Cada blusinha que eu colocava no saco me dava uma dorzinha, pq todas tem história. Presentes de ex namorados, de pessoas que já se foram, e pessoas que nunca mais verei na vida. A maioria tinha mesmo grande valor sentimental. Umas estavam até muito bem conservadas, mas não consigo me lembrar a última vez que as usei: saco!
Em junho deste ano, por uma fatalidade, meu quarto pegou fogo. Perdi quase tudo! TV, DVD, lap top, impressora, câmera digital, minha bijus, a maioria das minhas bolsas, malas, fotos, escrivaninha, cadeira bruta de estudos,... vixi, perdi coisa demais. Querem saber a verdade? Nada disso me fez falta até hoje! Conseguimos salvar o HD do lap top, mas até hj não busquei nada dele...
Chorei apenas qdo vi meu ursinho de cristal sem a patinha e a foto da moreca no cantinho, toda estraçalhada. Daí foi qdo uma amiga-anjo me disse que os sentimentos e lembranças boas que os bens materiais nos trazem, vão sempre existir, sempre estar ali, mesmo que o objeto não exista mais. É a mais pura verdade. A história do tal ursinho vai estar sempre na memória. Ele não precisa existir pra que eu me lembre com imenso amor do dia em que o ganhei.
Com as roupas que vou doar, acontece a mesma coisa. Os momentos bons que vivi, ficaram pra trás. Não preciso delas pra me lembrar deles, até pq as roupas ficaram anos na minha gaveta sem que eu as visse. Tem roupa de festa de Coluni, comissão de formatura da UFV, reveillons na praia, cidades históricas...
Ainda que sejam boas: Não me servem mais! Comecei a pensar quantas coisas estão na nossa vida, por simples comodidade não é? Por costume. Mas que não nos fazem falta. Há muitas coisas na nossa vida, inclusive boas, mas que precisamos aceitar que não nos servem mais. Não se encaixam mais no momento que estamos vivendo. Coisas que foram importantes, cumpriram seu papel, mas que a gente precisa deixar ir embora...
Tô apavorada com a idéia de ser uma peça de roupa esquecida na gaveta da vida de alguém. Que só está ali, pq as pessoas se acostumaram comigo e não querem me jogar fora. Eu quero ser aquele vestido preto curinga, que ta sempre na moda, e que deixa o corpo lindooooo!!! Quero ser sempre útil e indispensável para as pessoas que amo. Quero ser sempre usada e repetida.
No meu armário sobrou uma gaveta vazia. A sensação que tenho é de alívio. Oba... tenho tão poucas roupas agora que vou precisar comprar mais, vou adorar ganhar mais, hehe. É preciso que de tempos em tempos esvaziemos umas gavetas da nossa vida para que coisas novas venham. Só há espaço pro novo, quando deixamos o velho ir embora.